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Bem Para Todos: voluntários trazem mudança na periferia

  • Mariana Krunfli
  • 18 de mai. de 2022
  • 5 min de leitura

Como jovens de projeto voluntário da cidade de Barueri impactam crianças e adultos de comunidades


Por Mariana Krunfli


"Tudo muda quando você muda". Esta é a proposta de um dos mais recentes, e talvez mais promissores, programas voluntários do Brasil. Com sede na cidade de Barueri, região metropolitana de São Paulo, o projeto "Bem Para Todos" já alcançou comunidades de sua área e outras vizinhas, como Carapicuíba, Itapevi e a capital. Contando com 2.947 voluntários que já passaram pelo projeto, em sua maioria jovens, eles têm a missão de espalhar o bem, justamente, para todos, e transformar vidas periféricas permanentemente, por meio de doações, eventos, acompanhamentos e muitos mais.


O fundador do projeto e outras voluntárias em um dos eventos (Foto cedida pela organização)


História do Projeto

Fundado no ano de 2020, em plena era do Covid-19, pelo jovem de apenas 21 anos, Marcos Virginio Santos, mais conhecido como Markinhos, o projeto surgiu como forma de combater, primeiramente, a fome, como disse o idealizador em entrevista ao Central Periférica: "Eu ficava indignado, a fome sempre foi uma grande questão para mim, a comida é primordial para todos". Na época, a fome no Brasil havia sido impulsionada e, segundo o “Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia Covid-19”, cresceu ao ponto de atingir 9% da população brasileira.


Logo, a primeira ação desenvolvida pelo projeto foi uma arrecadação de cestas básicas entre o fundador e dois de seus amigos, que começou como algo pequeno, mas, segundo Markinhos, atingiu proporções inesperadas: "Minha garagem lotou de comida, minha casa inteira estava cheia de doações, foram umas oitenta cestas básicas". Devido às barreiras impostas pelo isolamento, a divulgação do projeto foi amplificada pelas redes sociais, chegando rapidamente a amigos e amigos de amigos.


Assim, o “Bem Para Todos” cresceu e aprendeu a se sustentar por conta própria, um de seus principais diferenciais, como destaca o idealizador: "Tem gente que fala: - Nossa, mas vocês pagam para serem voluntários? - mas eu sempre digo que nós precisamos custear o evento por conta própria, não temos patrocinadores, não queremos nos filiar a partidos políticos ou a igrejas, então fazemos o que chamamos de vaquinha para dividir os custos do evento, somos os próprios patrocinadores do projeto, o que é muito diferente de qualquer outra ação voluntária por aí".


Atualmente, a organização pede uma contribuição de R$35 para participar dos eventos como voluntário por um dia, mas o valor se justifica, uma vez que contam com toda uma estrutura composta por alimentos, transporte das crianças, brinquedos infláveis (que custam, por aluguel, mais de R$2000, segundo a planilha de transparência oferecida pelo projeto), entre muitos outros gastos.


Ainda no ano de 2020, aconteceu o primeiro evento, que hoje virou tradição, no qual é organizado um dia cheio de brinquedos, animação e atividades para proporcionar felicidade àqueles que mais necessitam. Na ocasião, os voluntários, que já haviam subido para quinze, foram atender dez vezes esse número de moradores de rua em um abrigo, proporcionando para eles o "Dia Feliz". Atualmente, esses eventos são mais voltados para a faixa infantil, que é o maior foco do projeto, e juntam crianças e voluntários para compor um dia inesquecível para ambos.


Crianças e voluntários no futebol de sabão em um dos eventos (Fotos cedidas pela organização)


Os Ciclos

O projeto tem uma abordagem diferenciada quanto ao contato com a periferia. Em lugar de promover ações pontuais, que oferecem somente ajuda momentânea, os voluntários trabalham para o crescimento e independência dos indivíduos periféricos, com acompanhamento do começo ao fim. Para isso, são aplicados os chamados "ciclos" em famílias ou comunidades específicas, que se iniciam com uma ação pequena, como uma doação de roupa ou comida, e continuam, ao longo de três meses, fazendo visitas periódicas e ações direcionadas, buscando iniciar uma transformação de vida permanente.


"Não fazemos assistencialismo. Nosso propósito não é enxugar o gelo", afirma Markinhos, exemplificando com um relato de uma mulher em situação vulnerável, que não alcançava nenhuma maneira de produzir seu dinheiro. Os voluntários, então, deram uma caixa de picolés para ela mesma vender e colaram uma placa em sua porta, avisando das vendas. Com sucesso, ela passou a conseguir se sustentar por conta própria. Um tempo depois, seu filho já havia conseguido comprar o próprio celular e contatou o projeto para agradecer pela ajuda, avisando que as vendas tinham dado tão certo que a mãe também já vendia bolos e ajudava a vizinhança a fazer o mesmo.


Crianças se alimentando em uma das ações do projeto (Foto cedida pela organização)


Atualmente, já foram concluídos, aproximadamente, dez ciclos só de crianças e mais oito com adultos.


Filosofia

O projeto também conta um pilar muito importante: a própria filosofia. Com nome de origem africana, Ubuntu significa respeito básico pelo outro, conta Markinhos. Ele apresentou uma história para ilustrar a mensagem, na qual haviam três crianças e um homem. Esse homem colocou um saco de doces embaixo de uma árvore e falou para as crianças que quem chegasse primeiro ganhava os doces. No momento da largada, as três crianças deram as mãos e foram correndo juntas até os doces. O homem, confuso com a situação, perguntou o que estava acontecendo a elas, que então responderam: "Ubuntu tio! É Ubuntu!"


“Aconteceu de verdade, sabia? Lá na África eles tem muito essa cultura de compartilhar, de ressaltar que não estamos sozinhos", acrescenta o fundador, explicando que já conhecia a filosofia muito antes do projeto e que ela cresceu junto com o “Bem Para Todos”.


Impacto na Periferia

O fundador também contou uma situação que presenciou graças ao projeto, em que o maior sonho de um dos meninos atendidos era comer batata frita. Então, em um dos eventos, os voluntários realizaram seu desejo e o menino ficou tão maravilhado que até chorou. Esta e muitas outras histórias impactaram Markinhos, que conta querer inspirar e dar esperança para essas crianças: "Nós queremos plantar a semente da palavra esperança. Queremos colocar a gente como referência. Fazer a criança conseguir enxergar outra fonte de inspiração. Porque aí elas falam: - Nossa, olha como a tia é bonita! Olha como a tia não fala palavrão e não usa droga! Olha como o tio tem um IPhone! Eu quero ser voluntário também para ter um! - Sabe? A gente quer gerar essa vontade de mudar”.



Voluntária tocando ukulele para uma criança (Foto cedida pela organização)


Futuro do Projeto

Atualmente, o projeto conta com uma grande variedade de ações, dentre as quais estão a Mentoria, o Desapega, o Marmitex, o Bazar Solidário, o Supermercado Solidário, o Dia das Crianças, o Apadrinhamento, o Dia Mais Feliz, doações e muito mais.


Crianças dançando em um dos eventos (Foto cedida pela organização)


Com a geração de jovens disposta a ajudar como motor de inspiração, o fundador diz que os próximos passos para o projeto, que, para ele, ainda está em crescimento, são aumentar o número de voluntários e expandir as regiões ajudadas, e destaca que o "Bem Para Todos" ainda tem uma longa missão pela frente. O próximo evento, o Aniversário de Dois Anos do Projeto, acontecerá no dia 28 de maio e está aberto para voluntários.

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